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sábado, 13 de julho de 2013

Prevenção e tratamento da aterosclerose



          Posts anteriores explicaram detalhadamente a aterosclerose, bem como sua relação com outros fatores. Ela é, de fato, uma doença muito perigosa que pode atingir grande parcela da população.  Desse modo, sua prevenção é essencial e deve ser buscada por todos.
            A prevenção consiste, basicamente, em levar uma vida saudável em vários aspectos: não fumar ou usar tabaco, praticar exercício regularmente, manter um peso saudável, dieta com baixo teor de colesterol, não consumir exageradamente álcool, dentre outros.

            O tratamento para a aterosclerose terá o objetivo de combater a placa de ateroma, estando ela já formada ou em formação. A retirada pode ser feita, por exemplo, por cirurgia, cateterismo e angioplastia. Além disso, pode ser adotado um tratamento medicamentoso associado a mudança no estilo de vida. A retirada da placa de ateroma formada normalmente não livra o paciente da doença, já que se essa placa foi capaz de se consolidar, ele apresenta risco para formação de outras (que podem estar até em formação constante). Assim sendo, deve-se analisar a necessidade de medicamentos e ocorrer uma mudança no estilo de vida.

            Dependendo da finalidade do tratamento medicamentoso, medicamentos específicos são indicados: inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA) para baixar a pressão arterial e proteger coração e rins; aspirina para prevenir a formação de coágulos nas artérias; betabloqueadores para reduzir os batimentos cardíacos, baixar a pressão arterial e o consumo de oxigênio pelo coração; bloqueadores de canais de cálcio que relaxem as artérias, baixam a pressão arterial e reduzem a tensão no coração; diuréticos para baixar a pressão e tratar a insuficiência cardíaca; nitratos para aliviar a dor no peito e melhorar o fluxo de sangue para o coração, estatinas para reduzir o colesterol .

Fontes:

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Tabagismo e aterosclerose



       Um dos mais importantes fatores de risco da aterosclerose que é passível de ser controlado é o fumo. O tabagismo, devido a composição das toxinas do tabaco, causa agravamento do quadro da aterosclerose. Além dos vários maléficos que a prática de fumar traz para o organismo, esse agravamento é mais um fator que incentiva os fumantes a abandonarem essa prática.
De uma maneira geral, as toxinas do tabaco diminuem a quantidade de HDL[1] e aumentam a quantidade de LDL do organismo. Além disso, a nicotina[2] e o monóxido de carbono, presentes no cigarro, danificam o endotélio, podendo iniciar a formação da placa de ateroma. O fumo também contrai as artérias que já estão estreitadas pela presença da placa de ateroma e aumenta a tendência do sangue coagular.
Uma outra relação importante está nos radicais livres contidos no fumo do cigarro. Esse fumo contém, basicamente, dois tipos distintos de radicais livres: o complexo quinone/hydroquinone (Q/QH2) e pequenos radicais oxygen-centered e carbon-centered .
O complexo quinone/hydroquinone está presente na fase de alcatrão e é um sistema redox ativo que pode reduzir a molécula de oxigênio, formando superóxido (eventualmente pode levar a formação de peróxido de hidrogênio e radicais hidroxila). O aumento da quantidade de superóxido leva a inativação do óxido nítrico, prejudicando sua ação vasodilatadora.

 Os pequenos radicas oxygen-centered e carbon-centered estão presentes na fase gasosa; eles são mais reativos do que os presentes na fase de alcatrão e são produzidos pela oxidação de NO em NO2, que por sua vez reage com as espécies reativas do fumo, como o isopreno. O radical carbon-centered reage rapidamente com O2 para gerar lipid peroxyl radical, o que propiciará a oxidação de lipídios e consequente progressão da formação da placa de ateroma.

Sendo o fumo um dos mais relevantes fatores de risco da aterosclerose, é interessante conhecer os resultados do seu abandono. Estudos relataram que pessoas que deixaram de fumar tiveram uma redução de 50% do risco em comparação aos que não pararam, independente do período em que elas fumaram.

[1] HDL: High Density Lipoprotein, transporta colesterol dos tecidos do corpo humano ao fígado.
[2] A nicotina estimula a liberação de catecolaminas, que por sua vez estimula lesões no endotélio arterial.

Fontes:
Church DF, Pryor WA (1985), “Free-radical chemistry of cigarette smoke and its toxicological implications”. Environ Health Perspect 64:111-126.
Pittilo, Michael (2000), “Cigarette smoking, endotelial injury and cardiovascular disease”. International Jounarl of Experimental Pathology 81:219-230.
Stocker, Roland e Keaney, John (2004), “Role of oxidative modifications in atherosclerosis”. American Physiological Society, vol.84 nº4, 1381-1478.
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Álcool e citocromo P450



     O álcool exerce dois efeitos antagônicos sobre a aterosclerose, sua ação benéfica ou maléfica depende da dose. Muitos estudos têm sido feitos para desvendar os mecanismos dessas ações e o limiar em que o álcool passa de benéfico para maléfico. Exatamente por esse papel dúbio, deve-se ter cuidado ao adotar seu consumo com a finalidade de obter benefícios contra essa doença.
        Do ponto de vista dos benefícios obtidos pelo consumo do álcool sobre a aterosclerose, em taxas moderadas ele pode: elevar a concentração de HDL-C e atuar sobre a homeostasia, reduzindo o fibrinogênio e inibindo a agregação plaquetária. Existem muitas controvérsias acerca da atuação de cada tipo de bebida alcóolica sobre a aterosclerose. No entanto, alguns autores já relataram a redução de 26% nos riscos dessa doença em homens que consomem de 5mL a 30mL álcool/dia (350mL de cerveja, 30mL de bebidas destiladas e 100mL de vinho) quando comparados com abstêmios. Além disso, outros estudos mostraram que essa redução ocorre até atingir um limite , depois do qual passa por uma estagnação, e sequente elevação do risco de forma vertiginosa.
           Já os efeitos negativos do consumo de álcool devem ser considerados principalmente em indivíduos propensos à hipertrigliceridemia, ou seja, a alta ingestão de álcool pode levar a um aumento dos níveis de triglicerídeos pela estimulação de VLDL pelo fígado. Ademais, o álcool pode levar ao aumento da pressão arterial, do peso corporal, da glicemia e provocar alterações gastrointestinais, tais como cirrose hepática, câncer de pâncreas e insuficiência múltipla de órgãos e sistemas.
    O álcool também exerce uma importante influência sobre os citocromos P450. Genericamente, os citocromos P450 são heme-proteínas que possibilitam a biotransformação de compostos de origem endógena e exógena. Ao modificar, por exemplo, uma molécula exógena lipofílica, eles a tornam mais solúveis e de mais fácil excreção. Entretanto, alguns moléculas, ao sofrerem essas modificações, se tornam muito reativas, podendo prejudicar o organismo, através de danos teciduais por exemplo.

         O consumo abusivo de álcool pode levar a ativação da via do citocromo P450. Nesse citocromo, o etanol ingerido é convertido à acetaldeído as custas de NADPH e O2. O NADPH é fonte de elétrons, que por sua vez são consumidos na quebra do O2. Essa quebra gerará, então, duas moléculas de oxigênio, a primeira será usada na oxidação do etanol e a segunda na produção de H2O. Nesse processo, ocorre a produção de radicais livre e o NADPH é oxidado. Essa oxidação o impossibilita de realizar a regeneração do antioxidante tripeptídeo glutationa, potencializando o estresse metabólico. Outra consequência do consumo excessivo de álcool está na diminuição do antioxidante vitamina E, o qual já teve sua importância salientada em post anterior.

           Apesar de serem apresentados dados importantes acerca dos possíveis benefícios do consumo moderado de álcool, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, através de seu departamento de aterosclerose, formaliza a não recomendação do consumo de álcool para prevenção de aterosclerose na “III diretrizes brasileiras sobre dislipidemias e diretriz de prevenção de aterosclerose.”

Fontes:

Santos, Raul et al. (2001), “III Diretrizes Brasileiras Sobre Dislipidemias e Diretriz de Prevenção de Aterosclerose”. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, vol. 77.
Lemos, Anderson e Trindade, Emilia, “Interferências no efeito farmacológico mediada pelas biotransformações dos citocromos P450”.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

NOD-like receptors





Como já explicado em post anterior, a aterosclerose é uma doença inflamatória crônica que se caracteriza pelo acúmulo de componentes lipídicos e recrutamento de células do sistema imune em lesões ateroscleróticas. Nesse post, será levantada a relação entre o processo inflamatório, com foco na aterosclerose, e os NLRs.
Os receptores de domínio de oligomerização de ligação de nucleotídeos (NOD-like receptors ou NLRs) são sensores intracelulares de PAMPs [1] e DAMPs[2]. Cada NLR contém três domínios característicos: um domínio efetor N-terminal responsável pela transdução de sinal e ativação da resposta inflamatória; um domínio central de ligação de nucleotídeo e oligomerização que compartilha similaridades com o motivo NB-ARC do mediador de apoptose APAF1; e um domínio C-terminal leucine-rich repeat (LRR) que é responsável pela detecção do ligante e auto inibição.

Em geral, os NLRs têm a capacidade de agrupar e ativar caspases[3], possibilitando a maturação da pró-interleucina-1b e pró-IL-18 nas formas ativas de IL-1ß e IL-18. Essas pró-interleucinas ativas promovem a ativação endotelial com consequente recrutamento celular (IL-1ß) e indução da amplificação da resposta TH1, que leva ao aumento do processo inflamatório, podendo culminar com a ruptura de lesões (IL-18).

Estudos recentes demostraram um papel crucial do NLRP3 inflammasome na aterosclerose. O NLRP3 faz parte da família dos receptores NOD-like e é um gene que codifica uma proteína pyrin-like que contêm um domínio pyrin, um local de domínio de ligação de nucleotídeos (NBS) e um motivo de repetição rico em leucina (LRR). Essa proteína codificada interage com o domínio pyrin (PYD) de uma proteína que contém um domínio de recrutamento de caspase (ASC). Proteínas que contêm CARD estão envolvidas em respostas inflamatória e imune. Além disso, essas proteínas podem servir como ativadoras do sinalizador NF-kB. O NF-kB está envolvido em várias respostas celulares, incluindo a oxidação da LDL, e é decisivo na regulação da resposta imune à infecção. Em situações patológicas, como a aterosclerose, o NF-kB se encontra muito ativo. Os cristais de colesterol induzem a ativação do NLRP3/ASC inflammasome desencadeando as ações explicadas anteriormente.

 [1] PAMPs, padrões moleculares associados a patógenos, são moléculas associadas a vários grupos de patógenos que são reconhecidas por células do sistema imune inato. Eles são reconhecidos por Toll like receptores (TLRs) e pattern recognition receptores (PRPs). A interação entre os TLRs e um dos PAMPs dá inicio a resposta inflamatória.
[2] Damps, padrões moleculares associados ao dano, em contraste aos PAMPs, são moléculas que podem iniciar e perpetuar uma resposta imune na resposta inflamatória não infecciosa.
[3] Caspases são uma família de proteases cisteína que desempenha papel essencial na apoptose, necrose e inflamação.

Fontes:

Davis, Beckley; Wen, Haitao e Ting, Jenny (2011), “The Inflammasome NLRs in Immunity, Inflamation, and Associated Diseases”. Annual Review of Immunology, 29:707-35.
http://en.wikipedia.org/wiki/PAMPs Acesso em 04/07/2013.
http://en.wikipedia.org/wiki/DAMPs Acesso em 04/07/2013.
http://en.wikipedia.org/wiki/NLRP3 Acesso em 04/07/2013.

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